Francisco Maia & Associados
   

Hotéis verdes

Publicado em 7 de março de 2010 - Advogado/Engenheiro Francisco Maia Neto

A consciência ambiental já é uma realidade no mercado imobiliário, em que iniciativas governamentais ou ações espontâneas da iniciativa privada estimulam a utilização de práticas sustentáveis, especialmente no que se refere a projetos residenciais ou comerciais, que planejam edificações voltadas à preservação do clima e do ambiente.

Essa realidade se reflete na busca da certificação ambiental quando da construção desses edifícios, sobretudo de um certificado denominado”Leed-Leadership in Energy and Environmental Design”, o chamado selo verde para a construção civil, ainda incipiente no país, mas com elevada solicitação de processos de certificação, que deverá representar um enorme incremento nos imóveis certificados no país.

Mas não é só o número de projetos que se mostra alentador, também a ampliação do tipo de imóvel, especialmente um setor onde o luxo e a exuberância são muitas vezes confundidos com práticas não sustentáveis e desperdícios, o hoteleiro, cuja mudança de mentalidade é uma realidade em todo o mundo, onde se busca aliar o conforto com o respeito ao meio ambiente.

Uma análise preliminar da questão mostra que não são necessários grandes investimentos ou drásticas mudanças na condução desses estabelecimentos, mas medidas simples podem colaborar, e muito, com a melhoria das condições ambientais, tais como o tratamento de esgotos, separação do lixo, redução do consumo de água e adoção de energias alternativas, especialmente a solar.

Nessa direção, podemos citar o caso do lixo, em que os resíduos orgânicos podem ser levados a uma miniusina e serem transformados em adubos, a serem aplicados na própria horta e nos jardins do empreendimento hoteleiro, ou o lixo reciclável, cujo material é de fácil separação, desde que se adotem práticas de coleta seletiva.

No que se refere à flora, em hotéis situados em regiões rurais, destacam-se não só as práticas de preservação da mata nativa, mas também a recuperação das matas ciliares, aquelas situadas às margens dos rios, bem como o plantio de espécies com manejo florestal, como o eucalipto, que é utilizado para abastecer a sauna e as lareiras.

Na questão energia, não é só a adoção da energia solar e também eólica que ganha espaço no setor, mas a combinação com práticas de gerenciamento energético, como a utilização de lâmpadas mais eficientes, como fluorescentes e de LED, sensores para iluminação e programação de desligamento seletivo, como letreiros, que não precisam ficar acesos toda a noite, e desligamento de elevadores em horários de menor demanda.

Por tudo isso, as edificações projetadas de maneira sustentável, obedecendo às normas que lhes garantem a certificação ambiental, possuem um incremento em torno de 10% no custo de construção, entretanto, além dos benefícios intangíveis que trazem a toda coletividade, está comprovado que resultam em um custo de operação 40% menor que os edifícios convencionais.

 

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