Francisco Maia & Associados
   

Shopping ao ar livre

Publicado em 3 de abril de 2011 - Advogado/Engenheiro Francisco Maia Neto

Quando se fala em shopping centers, não podemos deixar de nos remeter ao paraíso desses templos do varejo, os Estados Unidos. Para dimensionar sua importância nesse mercado, o país possui 34 mil shoppings com mais de 50 mil metros de área construída, ou seja, similar ao Ponteio Lar Shopping, em Belo Horizonte, com seus 51,50 mil metros quadrados.

Dessa forma, toda tendência que esses empreendimentos indicam naquele país, deve ser vista com atenção pelo resto do mundo, como é o caso da alteração na estrutura arquitetônica, que vem privilegiando corredores de compra ao ar livre, os denominados “open airmalls”, cuja importância pode ser medida pelo fato de que, nos últimos cinco anos, a quase totalidade dos aproximadamente 1.500 shoppings lançados nos EUA adotou essa modelagem.

Um bom exemplo disso é o Santa Mônica Place, situado na praia de mesmo nome, na cidade de Los Angeles, costa oeste dos Estados Unidos, onde o turista sai da praia e, ao caminhar dois quarteirões, pode nem perceber que adentrou em um centro de compras, tamanha sua integração com o espaço exterior, pois representa numa continuidade de uma movimentada rua de comércio.

Nesse caso ocorreu um “retrofit” do empreendimento, cuja concepção original datava do início da década de 1980, ao custo de mais de US$ 250 milhões, que promoveu uma enorme alteração no modelo original, compreendido pelo conceito de mall fechado, e o transformou em um shopping a céu aberto.

A região compreendida por esse shopping, no estado da Califórnia, apresenta uma tendência crescente desse gênero de construção, em função do clima ser propício à sua utilização, entretanto, regiões com situação diversa, como Salt Lake City, no estado de Utah, já adotaram a mesma tipologia, adaptando-a à condição local, com utilização de teto de vidro retrátil.

A explicação para essa nova concepção é o fato de propiciarem uma sensação de rua principal de uma pequena cidade, em função de sua maior integração com o espaço urbano, muito embora estudiosos da história dos shoppings centers indiquem que sua existência data de 1950, com o Northland Shopping Center, em Detroit, já demolido.

Existe uma dúvida sobre essa nova realidade, se representa uma mudança de urbanidade ou significa pura e tão somente modismo, o fato é que, desde que foram criados, na década de 1950, até a década de 1970, os shoppings centers se caracterizam como locais hermeticamente fechados com corredores climatizados.

A partir da década de 1970, com a mudança de hábitos da população, que deixou os hábitos homogêneos, o ciclo de vida desses empreendimentos tem apresentado um encurtamento, a ponto de existirem hoje nos Estados Unidos mais de 200 shoppings mortos (deadmalls), o que justifica a ausência de uma fórmula única e duradoura.

No Brasil, questões ligadas especialmente às condições de crédito e às características dos empreendimentos, com concentração em empresas familiares, tornaram os investimentos mais cautelosos, entretanto, com a entrada dos grupos estrangeiros esse cenário vem se alterando, possibilitando a repetição dessa tendência também por aqui, ressalvando as limitações de nossas legislações urbanísticas.

 

 

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