Francisco Maia & Associados
   

Imóveis regionalizados

Quem nasce no Brasil, descobre muito cedo que vivemos em um país que abriga muitas “nações”, uma vez que, possuindo essa grande extensão territorial, de norte a sul e também de leste a oeste, os hábitos regionais fazem com que a diversidade apresente contrastes significantes nas atitudes e até na linguagem.

No mercado imobiliário esse fenômeno se tornou relevante quando as grandes construtoras iniciaram, há alguns anos atrás, um processo de expansão para outras regiões, e descobriram que deveriam se adequar aos gostos bastante diferenciados desses diversos “brasis”.

Diante da realidade inquestionável e da imperativa necessidade em descobrir os desejos específicos, as empresas estão investindo em pesquisas com o objetivo de traçar um perfil adequado, procurando diferenciar o que seria bom para o paulista, mas não agregaria valor ao pernambucano.

À partir dos dados coletados descobriu-se que neste país onde as culturas promoveram misturas bastante heterogêneas, onde o curitibano prefere a fachada do edifício voltada para o norte, o mato-grossense precisa de amplas vagas de garagem, porque a caminhonete é um meio de transporte bastante difundido, o mineiro não compra apartamento sem fachada revestida e o amazonense prioriza o ar-condicionado.

No caso de Curitiba, o exemplo da face principal prende-se à notória preferência dos compradores do Nordeste e do Rio de Janeiro pela face sul, onde não bate sol, entretanto, no Paraná, devida ao frio e à possibilidade do mofo, os imóveis voltados para o norte apresentam uma valorização de até 15%.

Nessa mesma linha da tradição no mercado imobiliário, uma construtora que sempre começava suas obras um ano após o lançamento, no eixo Rio-São Paulo, teve que se curvar à desconfiança dos curitibanos, quebrando uma tradição de mais de 50 anos, e começou o prédio quase que simultaneamente ao lançamento, além de oferecer um seguro de entrega da obra no prazo previsto.

No Mato Grosso, além do carro ser maior do que a média nacional, também descobriu-se que as garagens precisam estar adaptadas ao escoamento da água de lavagem dos veículos, uma vez que se trafega muito por fazendas, sujando o carro e aumentando a frequência da limpeza.

Já em Belo Horizonte, os edifícios residenciais de médio e alto padrão são revestidos em granito ou cerâmica, e até mesmo em São Paulo se nota características culturais próprias, como na Mooca, onde as cozinhas são bem maiores, devido ao forte vínculo da colônia italiana com a culinária, e Higienópolis, com forte presença da colônia judaica, que valoriza os andares mais baixos, em função da tradição religiosa que impede o uso do elevador aos sábados.

Em função de tantas características específicas, as empresas procuram alternativas para enfrentar o desconhecimento, sendo o caminho natural a associação com uma construtora local, ou um forte investimento em pesquisa, onde são realizadas centenas de entrevistas, visando assim identificar a real necessidade da região onde pretendem investir, o que facilita a tomada de decisão.

 

 

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