Imóveis regionalizados

Publicado em 10 de dezembro de 2006

Quem nasce no Brasil, descobre muito cedo que vivemos em um país que abriga muitas “nações”, uma vez que, possuindo essa grande extensão territorial, de norte a sul e também de leste a oeste, os hábitos regionais fazem com que a diversidade apresente contrastes significantes nas atitudes e até na linguagem.

No mercado imobiliário esse fenômeno se tornou relevante quando as grandes construtoras iniciaram, há alguns anos atrás, um processo de expansão para outras regiões, e descobriram que deveriam se adequar aos gostos bastante diferenciados desses diversos “brasis”.

Diante da realidade inquestionável e da imperativa necessidade em descobrir os desejos específicos, as empresas estão investindo em pesquisas com o objetivo de traçar um perfil adequado, procurando diferenciar o que seria bom para o paulista, mas não agregaria valor ao pernambucano.

À partir dos dados coletados descobriu-se que neste país onde as culturas promoveram misturas bastante heterogêneas, onde o curitibano prefere a fachada do edifício voltada para o norte, o mato-grossense precisa de amplas vagas de garagem, porque a caminhonete é um meio de transporte bastante difundido, o mineiro não compra apartamento sem fachada revestida e o amazonense prioriza o ar-condicionado.

No caso de Curitiba, o exemplo da face principal prende-se à notória preferência dos compradores do Nordeste e do Rio de Janeiro pela face sul, onde não bate sol, entretanto, no Paraná, devida ao frio e à possibilidade do mofo, os imóveis voltados para o norte apresentam uma valorização de até 15%.

Nessa mesma linha da tradição no mercado imobiliário, uma construtora que sempre começava suas obras um ano após o lançamento, no eixo Rio-São Paulo, teve que se curvar à desconfiança dos curitibanos, quebrando uma tradição de mais de 50 anos, e começou o prédio quase que simultaneamente ao lançamento, além de oferecer um seguro de entrega da obra no prazo previsto.

No Mato Grosso, além do carro ser maior do que a média nacional, também descobriu-se que as garagens precisam estar adaptadas ao escoamento da água de lavagem dos veículos, uma vez que se trafega muito por fazendas, sujando o carro e aumentando a frequência da limpeza.

Já em Belo Horizonte, os edifícios residenciais de médio e alto padrão são revestidos em granito ou cerâmica, e até mesmo em São Paulo se nota características culturais próprias, como na Mooca, onde as cozinhas são bem maiores, devido ao forte vínculo da colônia italiana com a culinária, e Higienópolis, com forte presença da colônia judaica, que valoriza os andares mais baixos, em função da tradição religiosa que impede o uso do elevador aos sábados.

Em função de tantas características específicas, as empresas procuram alternativas para enfrentar o desconhecimento, sendo o caminho natural a associação com uma construtora local, ou um forte investimento em pesquisa, onde são realizadas centenas de entrevistas, visando assim identificar a real necessidade da região onde pretendem investir, o que facilita a tomada de decisão.

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