Francisco Maia & Associados
   

Shoppings populares

Publicado em 29 de abril de 2012 - Advogado/Engenheiro Francisco Maia Neto

Como já é sabido, o nascedouro dos shoppings centers ocorreu em terras norte-americanas, cujo aparecimento encontra-se intimamente ligado ao uso indiscriminado do automóvel, que trouxe como efeito colateral o tráfego intenso nas cidades, existindo uma metáfora no mercado mobiliário que relaciona o aparecimento desse tipo de empreendimento à descoberta de que o homem é feito de cabeça, tronco e rodas.

Realmente, a facilidade que os veículos trouxeram à mobilidade urbana alterou sobremaneira os deslocamentos, o que passou a exigir mais espaço para estacionamento nos centros urbanos tradicionais, projetados e construídos para outra realidade, e trouxe impacto direto ao chamado comércio de rua, que se tornou dependente do transeunte comum, que usa transporte público ou habita nas proximidades.

Ainda nos Estados Unidos, os estudiosos apontam um segundo fator relevante à aparição dos shoppings centers, em parte decorrente do fenômeno automotivo, que foi o surgimento dos suburbs, núcleos urbanos situados a certa distância das regiões centrais, que demandaram espaços próprios para o desenvolvimento das atividades comerciais e de serviços.

Assim foi desenhado o produto shopping center, que guarda até os dias atuais o mesmo formato, caracterizado por ser um ambiente protegido das intempéries (chuva, calor e frio), dotado de amplo estacionamento e espaços que facilitam o convívio, com farta oferta de produtos e serviços, distribuindo por um “mix” de lojas que atende às necessidades de todos que se dirigem ao local, o que lembra as praças centrais das antigas cidades.

Ao longo dos anos, com a profissionalização do que se denomina hoje de indústria de shopping center, os empreendedores foram levados a um intenso planejamento dessas edificações, calculados sobre premissas fundamentais, começando pelo chamado público primário, que corresponde à existência de uma massa de pessoas em um raio predeterminado, cujos gastos serão efetuados nas lojas ali instaladas, garantindo uma receita que justifique o investimento.

Como consequência, o surgimento desses empreendimentos no Brasil ocorreu em regiões habitadas por famílias de maior poder aquisitivo, onde a massa de recursos disponíveis para consumo dentro da zona de influência próxima reduzia sensivelmente os deslocamentos, formando uma configuração que aliava a densidade demográfica com elevada capacidade média de consumo.

A saturação dessas regiões levou os empreendedores a se voltarem para áreas cujo público-alvo apresenta menor renda, o que poderia não se mostrar atraente, entretanto, com o despontar das classes C e D esse cenário tomou novos rumos, já que estudos apontam a incorporação de 30 milhões de brasileiros à classe C, gerando uma renda mensal de R$ 10 bilhões, o que resulta em um potencial de 180 mil m2 de área locável aos shopping centers.

Essa realidade traz novos desafios ao setor, onde se configura um novo segmento de atuação, especialmente porque surge um novo mercado, com padrões culturais, anseios e hábitos de um novo consumidor, obrigando as empresas a empreenderem ações voltadas ao conhecimento do universo que atenta à demanda desse novo público emergente.

 

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