Norma de Desempenho – Parte 6 – Sistemas hidrossanitários

Publicação: 03/09/2013 - Advogado/Engenheiro Francisco Maia Neto

A sexta e última parte da NBR-15.575 compreende os sistemas prediais de água fria e de água quente, de esgoto sanitário e ventilação, além dos sistemas prediais de águas pluviais, sendo responsáveis diretos pelas condições de saúde e higiene exigidas em uma habitação, assim como no apoio a todas as funções humanas ali desenvolvidas, tais como: alimentação, higiene pessoal, condução de esgotos e águas servidas, dentre outras, devendo ser incorporadas à construção, visando garantir a segurança dos usuários contra acidentes, como o caso de queimaduras oriundas de instalações de água quente, devendo se harmonizar com a deformabilidade das estruturas, interações com o solo e características físico-químicas dos materiais de construção.

No tocante aos conceitos e definições inicia-se pela corrente de fuga pelo aparelho elétrico de aquecimento de água, como sendo a corrente errática que os aparelhos elétricos podem transmitir aos usuários; fonte de abastecimento de água, sistema de fornecimento de água para a habitação; ponto de utilização, extremidade à jusante do subcanal de onde sai a água para uso; protetor elétrico, dispositivo que limita a temperatura da água aquecida, que não pode ser alterada pelo usuário; refluxo de água e outros líquidos, proveniente de fontes diversas do abastecimento previsto, para o interior da tubulação relativa a esta fonte; retrossifonagem, refluxo de água servida derivado de um recipiente, como reservatório ou aparelho sanitário, para o interior de uma tubulação, devido à sua pressão ser inferior à pressão atmosférica.

Além desses termos, temos também a separação atmosférica, separação física entre o ponto de utilização ou de suprimento e o nível de componentes associados ao ponto de utilização, como reservatórios e aparelhos sanitários, cujo meio é preenchido por ar; sistema de aquecimento instantâneo de água, sistema em que a água se aquece pela passagem por fonte de aquecimento, de forma instantânea, tais como: chuveiros, torneiras e aquecedor de passagem; sistema de aquecimento de água por acumulação, sistema onde a água é aquecida e armazenada para posterior utilização, como boilers e aquecedores de acumulação; sistema de aterramento, conjunto de peças condutoras em que é feita a ligação elétrica com a terra; sistema hidrossanitário, sistemas hidráulicos prediais responsáveis pelo suprimento de água potável e de reuso, por coletar e afastar os esgotos sanitários, bem como coletar e dar destino às águas pluviais; tubulação, conjunto de componentes formado por tubos, conexões, válvulas e registros utilizados na condução de água potável, reuso de esgoto ou águas pluviais; calha, canal que recolhe as águas das coberturas e a conduz ao tubo de queda.

Ao tratar da segurança estrutural são abordados requisitos referentes à resistência mecânica dos sistemas hidrossanitários e das instalações, para tubulações suspensas, enterradas e embutidas, e requisitos para solicitações dinâmicas dos sistemas hidrossanitários, avaliando a sobpressão máxima no fechamento de válvulas de descarga e quando da parada de bombas de recalque, altura manométrica máxima e resistência a impactos de tubulações aparentes. Já a segurança contra incêndio trata do combate a incêndio com água ou com extintores, seja pela reserva de água para combate a incêndio ou tipo e posicionamento de extintores, seja na forma de evitar propagação de chamas entre pavimentos.

No tocante à segurança no uso e operação é abordado o risco de choques elétricos e queimaduras em sistemas de aquecimento em eletrodomésticos e eletroeletrônicos, risco de explosão, queimaduras e intoxicação por gás e utilização segura pelos usuários, além da temperatura de utilização da água. Trata ainda da estanqueidade das instalações dos sistemas hidrossanitários de água fria e água quente, das instalações de esgoto, águas pluviais e água das calhas, bem como do desempenho térmico, acústico, lumínico e da durabilidade e manutenibilidade.

No tópico destinado à saúde, higiene e qualidade do ar, o assunto é tratado, sob o prisma da contaminação, seja da água, a partir dos componentes das instalações, biológica da água, na instalação de água potável, em sistema predial ou por refluxo de água; seja do ar ambiente, através da geração de gás emitida por equipamentos ou odores provenientes das instalações de esgoto. Esse tópico também aborda os requisitos de funcionalidade, acessibilidade, conforto tátil e antropodinâmico e adequação ambiental.

Do ponto de vista prático, destacamos que os sistemas hidrossanitários não devem provocar golpes e vibrações que afetem a estabilidade estrutural; os aparelhos elétricos de aquecimento devem prever dispositivos de alívio e de segurança com corte de energia, em caso de superaquecimento; as peças manipuladas pelos usuários não podem possuir cantos vivos ou superfícies ásperas e as instalações devem fornecer água na pressão, vazão e volume compatíveis com o uso, além de manter a capacidade funcional durante a vida útil de projeto, desde que submetidas à manutenção periódica.

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