Norma de Desempenho – Parte 4 – Vedações verticais internas e externas

Publicado em 18 agosto de 2013

A quarta parte da NBR-15.575 (Norma de desempenho) abrange os sistemas de vedações verticais das edificações habitacionais, tanto internas como externas, bem como a volumetria e compartimentação dos espaços que compreendem um edifício. Como as vedações podem atuar em sintonia com a estrutura e sofrem as ações decorrentes de sua movimentação, além de poder assumir função estrutural, faz-se necessário que as análises sejam feitas em conjunto com os elementos, componentes e sistemas que com elas interagem, tais como caixilhos, esquadrias, cobertura, pisos e instalações, e também com aqueles que exercem outras funções, como estanqueidade à água, isolação térmica e acústica, capacidade de fixação de peças suspensas, capacidade de suporte a esforços de uso, compartimentação em casos de incêndio, dentre outros.  

No que se refere aos conceitos, esta parte da Norma apresenta a sigla SVVIE, que significa “sistemas de vedações verticais internas e externas”, compreendendo as partes da edificação habitacional que limitam no plano vertical o conjunto do edifício e seus ambientes, como fachadas e paredes divisórias internas; ensaio-tipo que é aquele utilizado para aferir a conformidade de um sistema de vedação, utilizando amostras representativas das condições de projeto e utilização; estado-limite último que é o momento a partir do qual ocorre um rebaixamento no nível de segurança com risco de colapso ou ruina de um sistema de vedação; estado-limite de serviço é aquele caracterizado por solicitações que prejudicam a funcionalidade, utilização ou durabilidade do sistema, com aparecimento de fissuras e outras falhas; deslocamento é a perda de aderência entre um componente de acabamento e sua base.  

Os itens exigências do usuário, incumbência dos intervenientes e avaliação do desempenho são remetidos à parte 1. Prosseguindo encontramos os requisitos de desempenho estrutural, que inicia-se pela estabilidade e resistência estrutural dos sistemas de vedação internos e externos, que nos remete a outras Normas de ABNT quando tiver função estrutural, além de especificar critérios para ensaios, forma de determinação da resistência e modelagem matemática do conjunto.  

A continuidade se dá pelo requisito de deslocamentos, fissuração e ocorrência de falhas nos sistemas de vedações verticais, cujo objetivo é limitar essas ocorrências de forma a assegurar o livre funcionamento de elementos e componentes da edificação, onde é apresentada uma tabela que procura correlacionar o tipo de elemento (sistemas internos ou externos, com ou sem função estrutural, as solicitações (cargas verticais, horizontais, permanentes e deformações impostas) e os critérios para que não ocorram falhas.

O requisito seguinte se refere às cargas originárias de peças suspensas atuantes nas vedações verticais, tais como armários, prateleiras, lavatórios, hidrantes e quadros, dentre outros, cujo critério compreende o ensaio para o dispositivo de fixação padrão tipo mão francesa, em tabela própria para carga aplicada em cada ponto ou considerando os tais pontos. Seguindo temos o requisito para impacto de corpo mole nos sistemas de vedação com ou sem função estrutural, que se traduz por sua resistência à energia de impacto dos choques gerados pela própria utilização ou aqueles provocados deliberadamente, compreendendo a utilização de duas tabelas que apresentam os critérios de desempenho para escalas de energia de impactos, o que é seguido pelas ações transmitidas por portas, impacto de corpo duro e cargas de ocupação incidentes em guarda-corpos e parapeitos de janela.  

O item seguinte trata da segurança contra incêndio, avaliação da reação ao fogo nas faces internas, e nos miolos isolados, objetivando dificultar a inflamação generalizada, a propagação do incêndio e preservar a estabilidade estrutural da edificação. Já a estanqueidade refere-se às águas provenientes da chuva e outras fontes, considerando a ação dos ventos para as fachadas, umidade decorrente da ocupação do imóvel, incidência direta de água para as áreas molhadas e condições de umidade junto às áreas molháveis, tudo respaldado por tabelas com critérios objetivos.  

Outro conceito abordado é o desempenho térmico que, trata da adequação das paredes externas, por meio dos critérios de transmitância e capacidade térmica, devidamente tabelados, cujos procedimentos de avaliação são aqueles preconizados na NBR-15.220 (Desempenho Térmico de Edificações), bem como das aberturas para ventilação, contendo tabela de valores mínimos para dormitórios e sala de estar.

Há ainda o desempenho acústico que trata do isolamento entre dependências de uma unidade e áreas comuns, utilizando tabelas que remetem a Normas ISO ou valores em decibéis, enquanto o desempenho lumínico é remetido à parte 1 da própria Norma de Desempenho.  

Por derradeiro, são abordados os requisitos de durabilidade e manutenibilidade, quanto à ação do calor e choque térmico, vida útil de projeto e intervenções periódicas de manutenção, objetivando limitar os deslocamentos, fissurações e falhas, ficando as questões relativas à saúde, conforto antropodinâmico e adequação ambiental remetidas à parte 1 dessa mesma Norma NBR-15.575.

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