Francisco Maia & Associados
   

Jardins suspensos

No ano de 2003, a prefeitura da cidade de Tóquio detectou que as áreas verdes da cidade haviam envelhecido 1,0% desde o ano de 1998, o que resultou em um aumento na temperatura, o que se refletiu na apuração de que as noites com temperatura superior a 25ºC n??????o ano de 2008 foi quase duas vezes maior que na década de 1960.

A transformação da cidade em uma ilha de calor, decorrente da colocação de concreto e asfalto por todos os lados, levou o poder público a tomar medidas para reverter este quadro, obrigando todas as novas construções a possuírem espaços verdes, até mesmo no teto das edificações.

A partir do final de 2008, 25,00% da cobertura de todas as construções com área superior a 250,00 m2 ou 1.000,00 m2, dependendo do bairro, necessariamente precisa ser verde, consolidando em dispositivo legal na prática decorrente de acordos entre o poder público e os construtores.

Essa política, iniciada no ano de 2000, fez com que a cidade de Tóquio registrasse no ano de 2008 um incremento de área verde de quase 1,5 milhão de m2, o que equivale à colocação de um Parque do Ibirapuera no topo dos edifícios.

A inexistência da compensação verde impede a edificação de receber o alvará, como aconteceu no caso do Tóquio Midtown, um complexo de edifícios compreendendo hotel, apartamentos, escritórios, museus e um shopping, considerado o mais sofisticado da cidade, que teve que garantir quase um terço de sua área para jardins públicos.

Além de curiosidades, como a existência de uma pequena plantação de arroz no topo de um edifício, essa realidade levou empresas a desenvolver novas tecnologias para atender à demanda, como a criação de “terras mais leves” e mecanismos para regar os jardins nas alturas, bem como, ao contrário das antigas edificações, que podem sofrer com umidade e infiltrações, os novos edifícios já se adequam aos jardins suspensos.

No Brasil, embora não exista legislação específica a esse respeito, nem tampouco perspectiva de implementação no curto prazo, ocorre uma implementação da ideia espontaneamente pelos próprios moradores, como na cidade de São Paulo, a maior concentração de prédios do país, onde surgem ilhas verdes no topo dos edifícios, especialmente na região central da cidade.

Cumpre esclarecer que há necessidade de implementação de algumas regras para aderir à ideia, especialmente no que se refere a escolhas das plantas, preparação do local contra umidade e, principalmente, a verificação do dimensionamento da estrutura para receber o acréscimo de peso.

 

 

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