Francisco Maia & Associados
   

Imóveis encurralados

Publicado em 8 de janeiro de 2012 - Advogado/Engenheiro Francisco Maia Neto

Devido à falta de terrenos, o assédio das construtoras a donos de imóveis tem aumentado nas principais cidades brasileiras, embora muitos dos moradores que não aceitem as propostas acabem sofrendo com obras vizinhas e, na maioria das vezes, enfrentam a desvalorização de seu imóvel.

Os moradores mais resistentes reclamam da pressão feita pelas empresas. Ainda que não sejam obrigados a vender, em alguns casos, proprietários resistentes alegam ter sofrido graves consequências da obra vizinha, pois podem surgir rachaduras e infiltrações em diversos pontos de edificação, ainda que não ocorra arrependimento da escolha, o imóvel certamente apresenta desvalorização.

De acordo com os especialistas no assunto, a saída para o mercado imobiliário é a busca de regiões com casas mais antigas e pessoas dispostas a vender, pois os lotes em regiões centrais são os mais procurados.

Quanto à aquisição dos imóveis, entidades do setor imobiliário e construtoras admitem a pressão exercida sobre os moradores, já que insistem e buscam convencê-los quando estão em suas áreas de interesse, para não perderem a oportunidade. Somente uma minoria não aceita as ofertas; por falta de alternativa, geralmente as pessoas se veem sem saída e se rendem às propostas.

Aos moradores cabe ressaltar que se for de seu interesse vender o imóvel, peçam que a proposta seja oficializada por escrito e, se seu imóvel for semelhante ao dos vizinhos, compare a proposta que está sendo feita. Caso não seja de seu interesse vender o imóvel, converse com a construtora e avalie o projeto, oficializando tudo por escrito, além de solicitar uma vistoria no imóvel antes e depois da obra, para que, caso sofra algum dano, este possa ser ressarcido.

Em todos os casos, antes de aceitar qualquer proposta, procure por um Engenheiro Avaliador, para definir o real valor do imóvel, uma vez que, na hipótese de venda, o preço final da transação representa o real valor de mercado, assim como, não ocorrendo a venda, e na ocorrência de danos decorrentes da futura obra, possa ser reclamado ressarcimento pelos prejuízos causados ao imóvel.

Um caso interessante foi registrado na capital paulista, onde um morador viu 20 casas vizinhas serem demolidas, restando apenas a sua, que hoje se localiza entre a piscina e o jardim de um prédio de 28 andares, que, além dos infortúnios ocorridos durante a execução do empreendimento, que trouxeram significativos danos à edificação, transformou a residência remanescente numa ilha, literalmente espremida e circundada por todos os lados pelo enorme edifício.

Por outro lado também os moradores dos prédios não gostam do que o mercado denomina “casas-sanduíche”, como são chamadas as casas que não aceitam propostas e são obrigadas a ficar entre uma nova construção, pois os projetos precisam ser modificados muitas vezes e se perde uma área que já estava confirmada.

Dessa forma, verifica-se que nessa situação, que passa obviamente pelos interesses e desejos dos proprietários, é imperativo que as pessoas levadas à decisão de vender um bem de grande valor sentimental reflitam sobre o fator emocional, haja vista que as consequências decorrentes da inflexibilidade podem levar a uma situação na maioria das vezes irreversível, com prejuízo patrimonial irreparável.  

 

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