Francisco Maia & Associados
   

Comprar ou alugar?

Publicado em 20 de novembro de 2005 - Advogado/Engenheiro Francisco Maia Neto

A dúvida entre a compra e o aluguel aflige grande parte das pessoas quando o assunto é a casa própria. Muitas são as opiniões que pendem para um ou outro lado, tendo ficado em evidência, por exemplo, com a popularidade do best-seller“Pai rico, pai pobre”, de Robert T. Kiyosaki e Sharon L. Lechter.

Nessa conhecida publicação existe quase um dogma, segundo o qual o dinheiro deve trabalhar para as pessoas, sendo que, no caso imobiliário, prega-se que a utilização de um financiamento não é um bom negócio, e que esse dinheiro deve ser revertido para o mercado financeiro, enquanto o usuário parte para o aluguel e dedica-se à acumulação de uma reserva financeira.

Aqueles que apostam nessa estratégia raciocinam que a independência financeira de uma pessoa virá dos investimentos, quando a pessoa poderá comprar o que quiser, inclusive a casa própria, se for o caso, sempre sob o prisma de que a compra financiada, ainda que a juros subsidiados, pode resultar em um gasto maior, sendo mais interessante poupar, mesmo pagando aluguel, para comprar à vista mais tarde.

Por outro lado, todos sabem, muitos por experiência própria ou próxima, que o aluguel é um grande vilão no orçamento pessoal, e o sonho da casa própria sempre vem acompanhado de questões intangíveis e psicológicas, especialmente no quesito segurança, embalado pela instabilidade econômica das últimas décadas e pelo crescimento urbano, que resultou em um considerável déficit habitacional em nosso país.

De qualquer forma, o mais importante é refletir bem antes de tomar uma decisão, no que se refere à situação pessoal de cada um, especialmente à sua estrutura familiar, casado ou solteiro, ou suas possibilidades de uma futura mudança, que poderão afetar na escolha do caminho que irá optar.

Quando algumas perguntas não encontram respostas, ou geram muitas dúvidas, certamente a melhor opção é alugar, até que a situação possa se clarear e, então, ultrapassada essa primeira barreira, seja possível pensar em uma solução definitiva.

Passando à questão do financiamento, uma análise do prazo de utilização do imóvel versus o prazo de financiamento é uma questão importante, pois se aquele imóvel escolhido não irá lhe proporcionar utilidade por muito tempo, o melhor é partir para outro que irá ser utilizado por mais tempo, ainda que a prestação seja superior, ou talvez alugar um imóvel mais simples, possibilitando a formação de uma poupança que diminuirá a futura prestação.

Outros entendem que seria mais lógica a aquisição de um imóvel mais antigo, onde já foi absorvida grande parte da depreciação, entretanto, a pessoa deve ter em mente que se trata de uma opção que pode acarretar futuras dificuldades de venda, além de causar custos mais elevados de manutenção, o que somente se justifica se for uma decisão para o longo prazo.

Além disso, vale a pena estudar outras opções, como o consórcio ou modalidades novas que estão surgindo, que conjugam arrendamento com prestação, sendo o mais importante planejar desde cedo o seu futuro e, para a imensa maioria das pessoas, não só por elas, mas especialmente para suas famílias, vale sim a pena realizar o sonho da casa própria.

 

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