Francisco Maia & Associados
   

Comprar ou não comprar

Publicado em 17 de outubro de 2010 - Advogado/Engenheiro Francisco Maia Neto

O enorme interesse que o mercado imobiliário tem demonstrado nas pessoas, decorrente do visível crescimento desse segmento na economia do país, tem resultado em um aumento do debate sobre o atual momento, surgindo os mais diversos questionamentos, especialmente se essa pujança que vem sendo registrada não demonstraria que estamos assistindo ao surgimento da famigerada bolha imobiliária?

Além disso, que parece ser o maior fantasma que ronda o setor, as pessoas começam a se questionar sobre o próprio posicionamento, indagando se os preços estão mesmo inflados ou vão continuar a subir? Devem abandonar o aluguel e partir para o financiamento? O dinheiro que se encontra na poupança não seria mais bem aplicado na compra de um imóvel? O imóvel é mesmo uma boa alternativa de investimento? Se optar pela compra de um imóvel, deve comprá-lo na planta, um acabado e novo ou um usado?

Todas as indagações são pertinentes, mas infelizmente a maioria não pode ser respondida de forma direta e objetiva, uma vez que existem circunstâncias que devem ser analisadas, variando em função das disponibilidades e desejos de cada um, até porque não devem ser discutidas sob o prisma emocional, ao contrário, os instintos devem ser controlados e o foco tem que ser o mais racional possível.

Com relação ao mercado como um todo, no que tange à bolha imobiliária, existe uma convergência dos analistas de que o cenário global não aponta nessa direção, embora exista também uma convergência de que são registrados fenômenos pontuais, nos quais os preços dos imóveis atingiram, em pouco espaço de tempo, patamares classificados como irreais.

A alta verificada nos últimos anos não apresenta sinais de anormalidade, até porque indicadores históricos apontam que os imóveis sobem em média 3% acima da inflação ao ano, entretanto, essa variação não é linear, e sim em “degraus”, ou seja, ficam alguns períodos sem qualquer reajuste e sobem rapidamente, em função de fatores econômicos diversos, de natureza social ou governamental.

Porém, antes de tomar a decisão sobre a compra de um imóvel, é importante definir qual a finalidade desse investimento, que muitas vezes significa o resultado do esforço de uma vida, já que existem quatro objetivos dessa iniciativa: aquisição para uso próprio ou de terceiro, busca de valorização, planejamento de uma renda futura ou realização de um empreendimento imobiliário.

A aquisição de um imóvel para uso próprio ou de terceiro é a hipótese mais comum, sendo que a casa própria continua a constituir o sonho da quase totalidade das pessoas, o que também pode ser para um ascendente ou descendente, além das pessoas jurídicas (empresas), que também se incluem nesse grupo, quando adquirem sua sede própria.

A busca de valorização, quando se adquire um imóvel, é uma opção que muitos que investem em imóveis procuram atingir, embora seja a mais perigosa dessas modalidades, em decorrência da conjugação de fatores que podem influenciar, embora, se o horizonte for de longo prazo, esse cenário certamente irá se configurar.

O planejamento de uma renda futura ainda é uma modalidade muito utilizada, devendo o investidor tomar o cuidado apenas de não concentrar todos os recursos em uma única fonte, pois ficará dependente de um imóvel, sendo recomendada a pulverização, aliada à diversificação.

No que se refere à aquisição para empreendimento, este está ligado usualmente a empresas construtoras ou incorporadoras, embora não se descarte a compra de um terreno, por exemplo, visando à realização de uma permuta por unidades a serem construídas no local.

Qualquer que seja o caminho, é sempre bom lembrar que a decisão não deve ser tomada sem reflexão, pois nessa hora deve prevalecer a máxima de que a razão deve predominar sobre a emoção.

 

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